EX-MINISTRO DA EDUCAÇÃO


O degradante espetáculo de Cid Gomes, o ministro que não foi O show desmiolado do ministro da Educação era previsível:

o Planalto botara um amador num cargo para profissionais

EFÊMERO Cid Gomes na Câmara (acima) e a casa alugada pelo governo cearense em Brasília. Ele foi um ministro sem deixar a política regional  (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)
Cid Gomes se virou sozinho. Àquela altura do dia, ainda ministro da Educação, ele apareceu na garagem da casa mantida pelo governo do Ceará, em Brasília, e saiu dirigindo um carro cinza. Seu irmão Ciro Gomes e vários apoiadores vindos do Ceará especialmente para a ocasião entraram em outros quatro carros e o seguiram. Na quarta-feira, Cid nem parecia um ministro de Estado. Ministros se deslocam em Brasília em sedãs pretos com placa oficial, motorista, segurança e vidros escuros; Cid dirigia um carro compacto com os vidros abertos. Em poucos minutos estacionou em frente à entrada do Congresso, desceu e se encaminhou para a missão de se explicar diante daqueles que chamara de “300, 400 achacadores”. Parecia já praticar o desapego ao cargo de apenas três meses – que

Saiu de lá após lances rocambolescos como Cid, o ministro da Pátria Educadora, que se tornou breve no cargo por um episódio de má educação – ou, no mínimo, de pouquíssimo tato político. Duas semanas antes, atacara o Congresso: “Tem lá uns 400 deputados, 300 deputados que, quanto pior, melhor para eles. Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais”. Prevalecia a tradição dos políticos da família Gomes de cometer grosserias verbais em profusão. Ao sair do Congresso, foi ao Palácio do Planalto. “Você não precisava ter feito isso, não precisava ter sido desse jeito”, disse a presidente Dilma Rousseff. Cid lamentou. Dilma, que gosta dele, também. A demissão foi anunciada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não pelo Palácio do Planalto – num sinal inequívoco de desprestígio do governo. Mais um vexame para a lista de erros políticos de Aloizio Mercadante e de Dilma. Foi ideia de ambos dar um cargo de tamanho prestígio ao irmão menos talentoso da família Gomes. Cid voltará ao Ceará; Dilma, Mercadante, o governo e o PT sofrerão as consequências políticas da verborragia tresloucada dele.

Cid Gomes nunca chegou realmente a Brasília – sua mente e seu modo de agir estiveram o tempo todo voltados para o Ceará, que ele governou por dois mandatos e monitora por meio do governador Camilo Santana. Durante os três meses que passou em Brasília, Cid viveu em uma casa alugada pelo governo do Ceará no Lago Sul, bairro nobre da cidade. O aluguel de R$ 15 mil da “residência da representação do Ceará”, com 700 metros quadrados, quatro quartos (duas suítes), sala de TV e piscina, começou em 2011, ainda no governo de Cid. Em geral, ministros moram em residências do governo federal no Lago Sul ou recebem verba para pagar aluguel. A residência destinada ao ministro da Educação, que seria ocupada por Cid, está em reforma. O governo do Ceará afirma que Cid não morou na casa, apenas “utilizou um dos cômodos, enquanto recebia o imóvel do governo federal, que estava sendo reformado”. Cid Gomes não foi localizado.

Na quarta-feira, a casa estava lotada por uma delegação que chegou a Brasília para encenar a retirada de Cid do cenário nacional. O governador Camilo foi para apoiar o amigo. O presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, não só foi, como convocou vereadores e prefeitos para a viagem – estavam lá vários deles, inclusive o de Fortaleza, Roberto Cláudio, e o de Sobral (cidade de Cid), Veveu Arruda. Dez deputados estaduais também foram. Parte dessa turma se deslocou em jatinhos alugados. Na Câmara, a galera se acomodou nas galerias para assistir ao calvário de Cid. Osmar Baquit, secretário estadual da Pesca, comandava os aplausos e gritos da galera como se ainda fosse presidente do time de futebol Fortaleza. “Eu prefiro ser acusado por ele de mal-educado do que ser, como ele, acusado de achaque…”, disse Cid na tribuna da Câmara, em referência ao presidente da Casa, Eduardo Cunha, do PMDB, que estava a 5 metros dele. Sua torcida aplaudia efusivamente – tanto que foi retirada pela segurança da Casa.

Cid teve de ouvir desaforos. “Vossa Excelência é desqualificado, Vossa Excelência envergonha este país; que está atravessando uma crise enorme, inclusive moral, e não pode ter um ministro que não tem moral, que não tem decência, que não tem ética, que é achacador do Estado do Ceará”, disse o deputado André Moura, do PSC. Cid ouviu em pé, a maior parte do tempo com as mãos para trás. Muitas vezes reagia com sorrisos. Cid acabou perdendo a paciência. “O senhor, por favor, me respeite!”, gritou, mas seu microfone foi cortado. Irritado, Cid desceu da tribuna e saiu do plenário. A claque cearense fez seu trabalho: gritou, empurrou e aplaudiu Cid. Produziu para a política local cearense a versão do político que perdeu o cargo porque chamou parlamentares de corruptos. Nesse embate de baixo nível, o empate é a tragédia nacional.

 

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