RESPEITA A POLÍCIA


A polícia brasileira não é preparada para utilizar balas de borracha e esse tipo de armamento está sendo usado de maneira errada nas manifestações que acontecem em todo o Brasil. Os policiais militares estão usando as balas de borracha de forma errada, também têm que agir apenas para dispersar a multidão e evitar depredações, e não perseguir manifestantes.

Vejo policiais estressados por causa da sobrecarga de trabalho gerada pelos seguidos protestos e que muitos já “pessoalizaram ódio às manifestações”.De forma geral, a polícia brasileira serviu de catalisador da revolta popular. Lá no dia 13 de junho, no movimento Passe Livre, em São Paulo, a cena de uma repórter da Folha de São Paulo que foi atingida por uma bala de borracha no olho sensibilizou a todos. Todos identificaram uma desproporcionalidade no uso da força da Polícia Militar.

A partir desse momento infeliz, o movimento, no Brasil todo, ganhou adesão de pessoas revoltadas com a truculência da polícia. A polícia deve ser seletiva. Mas é muito difícil. Não é fácil ser seletivo. No entanto, o preparo está aí para isso. A qualificação do policial para trabalhar numa força de choque.

Policiais que estão aquartelados a maior parte do tempo e estão recebendo treinamento para agir em situações como essa. É verdade que o que nós observamos no Brasil uma situação que foge a qualquer análise, a qualquer previsão de normalidade. Uma situação totalmente extraordinária. Para qualquer polícia. A polícia do Rio, por exemplo, participou de manifestações com 300 mil pessoas. A de Minas Gerais, com 100 mil pessoas. Então, para qualquer polícia do mundo, por mais preparada que seja, uma situação como essa é absolutamente difícil.

E só o treinamento não resolveria. Você tem que ter o treinamento aliado a muito equipamento de proteção do policial, a muito equipamento não letal e a muito comando. O policial tem que agir sob comando. Ele não pode agir de forma isolada. Quando o policial age de forma isolada, normalmente você vê truculência e violência policial.

Quando o policial sai da sua formação de choque e vai perseguir alguém que tenha ofendido o policial, que tenha machucado o policial ou que tenha provocado uma lesão no policial, aí você verifica uma cena de truculência. A bala de borracha é um equipamento muito novo na polícia brasileira. Há menos de 15 anos a polícia utiliza bala de borracha. Nem todos os policiais, aliás, pouquíssimos policiais, receberam treinamento adequado para utilização dessa arma não letal.

E arma não letal é um termo até errado, tá? É arma menos letal. Ela pode ser letal, sim, se for utilizada com imprudência. Uma bala de borracha disparada contra um olho, contra um pescoço, pode provocar uma morte. E a orientação do fabricante, a orientação do curso de distúrbios civis é que o policial utilize essa ferramenta em situações muito específicas, muito extraordinárias, abaixo da linha da cintura.

Para que não tenha a menor chance de esse tiro atingir a cabeça, atingir um olho e esse ferimento ser mais letal. A polícia tem um comandante-geral que está subordinado ao secretário de segurança pública, que está subordinado ao governador.

Certamente não foi a Polícia Militar do seu estado que deliberou sobre essa decisão. Não foi a polícia quem decidiu. Alguém decide, e a Polícia Militar vai executar essa decisão. A polícia Militar vive um momento muito difícil.

Os policiais militares estão estressados, cansados, são dezenas de policiais militares em todo o país feridos nas manifestações, eles estão trabalhando já na sexta, sétima, oitava manifestação. Alguns já pessoalizaram ódio as manifestações.

Eles deveriam ser retirados, deveriam passar por um descanso. Mas não. Eles estão sendo levados à exaustão. Então é possível que, a cada dia, a polícia naturalmente fique mais violenta e menos paciente com essas manifestações.

Em cada cidade, cada capital, uma situação distinta. A presença de camelôs, de ambulantes, de usuários de crack, de traficantes infiltrados, que foram até presos pela Polícia Militar, mas cada capital deve ter a sua realidade distinta.

É importante entender que existe uma psicologia de massa. Quando a pessoa está no meio de uma turba (multidão), ela fica mais agressiva, mais corajosa, mais audaciosa. Ela pensa, ela age como massa, e não como indivíduo. Então, em algumas situações, até manifestantes que não eram criminosos participaram de saques, sim, a lojas. É um fenômeno que foi pesquisado e investigado a exaustão, e o batalhão de choque sabe que isso pode acontecer.

Sabe que uma pessoa que está participando da manifestação, apesar de não ser criminosa, pode, naquele momento específico, encorajada pela massa, praticar ações criminosas. Muito se falava que a violência urbana era em função do desemprego. E nós tivemos uma queda no desemprego em todas as capitais do Brasil nos últimos oito anos. E a violência aumentou. Então não tem nenhuma ligação específica entre violência e desemprego. Então se fala na desigualdade social. Mas a desigualdade social também foi reduzida com a Bolsa Família e com 44 milhões de brasileiros que ingressaram na classe C. Com tudo isso, a violência aumentou.

Qual seria o verdadeiro motivo?

Temos que pesquisar.

E o policial militar não pesquisa, e o delegado de Polícia Civil também não pesquisa.

Quem vai pesquisar é a academia.

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