Dia Nacional de Lutas


O Dia Nacional de Lutas que está sendo preparado pelas centrais sindicais para acontecer no próximo dia 11 começa a ganhar corpo com a confirmação de que várias categorias devem aderir ao protesto, com greves e manifestações. Haverá paralisação desde o setor de transportes até construção pesada, que deve afetar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Também se preparam para o dia categorias de serviços, como bancos, e da indústria, como metalúrgicos, petroleiros, mineradores e químicos. Boa parte dos sindicatos patronais diz desconhecer o movimento, mas já há manifestações de setores como a Indústria se posicionando contrariamente à mobilização.

Nesta sexta-feira, as principais centrais sindicais confirmaram que a cidade de São Paulo terá diversos pontos de manifestação e que haverá uma grande concentração de trabalhadores no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, a partir do meio dia. Segundo a Central Única dos Trabalhadores do Estado (CUT-SP), bancários, químicos e petroleiros da capital são algumas das categorias que já confirmaram presença no local. “A adesão está muito forte. Muitas categorias já definiram pela paralisação”, reforça Adi Santos de Lima, presidente da CUT-SP.

O objetivo do que vem sendo chamado pelos sindicatos de ‘Dia Nacional de Lutas’, seria sensibilizar os governos da chamada pauta trabalhista (que inclui o fim do fator previdenciário, carga de 40 horas semanais de trabalho, reajuste para os aposentados), além de cobrar mais investimentos em áreas como saúde, educação e transporte.

O trânsito na capital paulista provavelmente será bastante afetado. Já há a informação, segundo a União Geral dos Trabalhadores (UGT), que motoboys pretendem parar três importantes avenidas, que provavelmente serão: Av. Paulista, Av. 23 de maio e uma das marginais. A concentração está marcada para acontecer a partir das 10h na sede do SindimotoSP, no Brooklin Novo, zona sul. “Há na cidade atualmente mais de 220 mil motoboys regularizados. Devemos ter uma boa adesão”, afirmou Ricardo Patah, presidente da UGT.

O transporte público da capital também deve ter adesões. Segundo o secretário executivo nacional da CSP-Conlutas, José Maria de Almeida, o Zé Maria, os metroviários de São Paulo já resolveram que vão aderir à greve, porém ainda falta definir o horário e a duração da paralisação. “Eles vão decidir se será só até o meio dia ou o dia todo, mas a greve já está acertada”, afirmou Zé Maria, que também preside o PSTU. A decisão final será tomada na quarta-feira.

O deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força Sindical, afirmou que participou de assembleias com metroviários e confirmou que as outras seis capitais que possuem metrô, além de São Paulo, também decidiram por greve. Segundo ele, em São Paulo, na questão do transporte há apenas um imbróglio em relação à adesão dos funcionários ligados aos ônibus, pois o sindicato que representa a categoria tem eleição marcada justamente para o dia 11. “A atual diretoria diz que não vai parar, mas a oposição diz que vai. Provavelmente a expectativa é que haja ações em algumas garagens.”

Paulinho disse ainda que está encaminhando parte dos roteiros para a secretario de Segurança Pública de São Paulo. “A cidade vai estar tumultuada”, afirmou, ressaltando que o seu roteiro no dia 11 começará na Av. Das Nações Unidas em direção a Ponte Estaiada e seguir para a avenida Paulista.

O presidente da Focas Sindical também disse que já está confirmada uma série de protestos em rodovias do Estado de São Paulo. “A Dutra terá passeata em vários pontos na altura de Rezende, Volta Redonda, Taubaté. A única rodovia do Estado que ainda não tem ação confirmada é a Castello Branco. Nas demais, há pelo menos a confirmação de um protesto”, garantiu.

Os comerciários de São Paulo, estimados em cerca de 500 mil, também já decidiram pela paralisação, segundo a UGT. Os trabalhadores ligados ao setor sairão da Rua 25 de março, no centro, às 9h, e também vão em direção a Avenida Paulista. A proposta deles é manter o ato até às 18h.

Construção e metalurgia

Setores estratégicos para a economia do País, como a construção e a metalurgia prometem uma adesão em massa ao movimento nacional. Segundo Paulinho, trabalhadores da construção pesada, que chegam a 800 mil no Brasil, farão paradas em diversos segmentos. Ele afirmou que já estão definidas greves em obras do PAC em diversos Estados como Bahia, Recife, Pernambuco e Ceará. “As obras de Belo Monte também serão interrompidas”, afirmou. A informação foi confirmada por Zé Maria, da CSP-Conlutas, sindicato que representa os trabalhadores da obra. “Estamos fazendo um trabalho conjunto com a Força para ter uma grande greve em Belo Monte”, disse.

Segundo Paulinho, dos 3 milhões de trabalhadores da construção civil, os 2 milhões que a Força Sindical representa também caminham para aderir à greve. Ele confirmou ainda a paralisação em portos de todo o País. “Os portuários do Brasil vão parar dia 10, por conta da pauta deles e dia 11, pela pauta geral”, afirmou, ressaltando que a Força representa 85 mil portuários.

Os metalúrgicos também prometem forte adesão ao movimento. Segundo a CUT-SP, metalúrgicos de São Bernardo do Campo devem fazer panfletagem e paralisações na cidade. Paulinho, da Força, disse que os metalúrgicos da capital preparam ao todo 37 manifestações na cidade. Em Minas Gerais, segundo Zé Maria, todos os metalúrgicos já decidiram pela greve. “Vai haver bloqueio de estradas no sul e centro oeste do Estado”, afirmou.

O dirigente do Conlutas disse que os trabalhadores do setor de mineração também já optaram pela greve. “Trabalhadores ligados a Vale e a CSN em várias cidades vão parar o dia inteiro”, afirmou reforçando também que cerca de 800 mil servidores público federais, dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário também já decidiram em reuniões por uma greve nacional.

Em Fortaleza (CE), ele afirmou acreditar em uma ‘greve geral’. “Vai parar transporte, funcionalismo e construção, o dia todo”, disse. Em Teresina (PI), o funcionalismo municipal também vai aderir ao movimento, afirmou. O Dia Nacional de Lutas está sendo realizado pelas centrais sindicais juntamente com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Empresas

Procurados pela reportagem, entidades ligadas ao serviço patronal disseram que ainda não têm informações concretas das ações planejadas para o dia 11. Segundo a assessoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), como as greves “ainda estão no campo da especulação”, não é possível mensurar qual o impacto que elas terão. A entidade afirmou que “trata-se de um episódio que não aconteceu e que não se sabe a adesão que terá”.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), no entanto, divulgou nota em que reconhece os atos do dia 11 e diz que eles estarão “atentos e vigilantes a ideia de alguns maus brasileiros que querem promover uma greve geral no próximo dia 11”.

Segundo a Abimaq, “nada mais absurdo e inoportuno”. “Querem parar o Brasil, parar a produção, parar hospitais e serviços essenciais, parar portos e aeroportos, sem se preocuparem com o enorme preço que todos nós pagaremos se essa ideia vingar”, diz a nota, ressaltando que greve é um direito legítimo dos trabalhadores, mas precisa ser usado com responsabilidade. Já a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a FecomercioSP afirmaram, por meio da assessoria de imprensa, que ainda não têm informações a respeito de atos e greves no dia 11.

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