Gigantescas manifestações


A oposição egípcia deu nesta segunda-feira (1°) um prazo de 24 horas para que o presidente Mohamed Mursi renuncie, depois das gigantescas manifestações de domingo (30), que deixaram 16 mortos, um ano após a posse do chefe de Estado.

 “Damos a Mohamed Mursi o prazo de até terça-feira (2 de julho) às 17H00 (12H00 de Brasília) para deixar o poder e permitir às instituições estatais preparar uma eleição presidencial antecipada”, afirma um comunicado do movimento Tamarod (‘rebelião’ em árabe). “Se Mursi não renunciar, na terça-feira às 17H00 terá início uma campanha de desobediência civil total”, completa a nota.

No Cairo, a sede central da poderosa Irmandade Muçulmana, movimento de Mursi, foi incendiada. O edifício, no bairro de Moqqatam, zona leste da capital egípcia, foi invadido por manifestantes que jogaram objetos pelas janelas. Outros manifestantes saquearam a sede, que no momento do ataque estava vazia.

Quatro ministros egípcios pediram demissão nesta segunda, segundo uma fonte do governo. Os ministros do Turismo, Meio Ambiente, Comunicações e Assuntos Jurídicos entregaram cartas de demissão ao primeiro-ministro, Hicham Qandil, segundo a mesma fonte.

O ministro do Turismo, Hisham Zaazu, já havia manifestado o desejo de renunciar em junho após a nomeação de um governador da turística região de Luxor, Adel al-Jayyat, membro de um partido islamita ligado a um grupo radical que reivindicou em 1997 um ataque que matou 58 turistas estrangeiros. Mursi, que nomeou Jayyat em 16 de junho, havia convencido Zaazu a permanecer no cargo.

O Tamarod também pediu às Forças Armadas, à polícia e ao sistema judicial uma “posição clara ao lado da vontade popular representada” pelas gigantescas manifestações de domingo. O movimento rejeitou o pedido de diálogo feito no domingo pelo presidente Mursi. “É impossível aceitar medidas insuficientes. A única alternativa é o fim pacífico do poder da Irmandade Muçulmana e de seu representante Mohamed Mursi”, afirma o comunicado do Tamarod.

As manifestações de domingo terminaram com a morte de 16 pessoas em todo o país, oito delas em confrontos entre simpatizantes e adversários do presidente islamita Mohamed Mursi no Cairo, anunciou o ministério da Saúde. No Cairo foi registrada outra morte, de um manifestante asfixiado diante do palácio presidencial. As outras pessoas morreram nas províncias de Beni Suef, Asiut (centro), Kafr al Sheikh e Fayum e na cidade de Alexandria.

O Tamarod, apoiado por várias personalidades e movimentos da oposição laica, liberal e de esquerda, afirma ter reunido 22 milhões de assinaturas para uma petição por eleições presidenciais antecipadas, uma quantidade muito superior aos 13,23 milhões de votos recebidos por Mursi nas eleições de junho de 2012. O líder opositor Hamdeen Sabbahi pediu uma intervenção militar se Mursi não renunciar.

O exército, que comandou a tumultuada transição depois da queda de Hosni Mubarak, já advertiu que pretende agir em caso de distúrbios. “As Forças Armadas devem atuar, porque sempre estiveram ao lado do povo, que tem expressado sua vontade”, afirmou Sabbahi, o terceiro colocado na eleição presidencial de 2012. A melhor solução seria a saída voluntária de Mursi, completou.

Mas o porta-voz de Mursi, Ehab Fahmy, descartou a possibilidade. “O diálogo é a única via pela qual podemos chegar a um entendimento. A presidência está aberta a um diálogo nacional real e sério”, disse.

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