DILMA OUTRA VEZ

Graças ao talento do marqueteiro João Santana, Dilma Rousseff conseguiu vencer a eleição mais difícil vista no País desde 1989. Como a própria presidente ressaltou ao votar, aconteceu de tudo no meio do caminho, houve até a morte de Eduardo Campos. De favorita inicial, quando Santana chegou a dizer que os adversários não passavam de anões, Dilma foi submetida a um verdadeiro suplício. No primeiro turno, viu Marina Silva ressurgir das cinzas e liderar as pesquisas da noite para o dia. A ex-ministra, porém, deixou-se abater pelos erros de uma campanha ingênua. No segundo turno, Aécio Neves tornou-se a grande surpresa. Mas ela resistiu à ameaça do tucano e livrou vantagem mínima,  de 3,28%, nas urnas. Sem dúvida, enfrentou a reeleição mais sofrida de que se tem notícia. Mas essa é uma página virada. Dilma Rousseff vai presidir o Brasil até 2018.

E agora? Há quem diga que a primeira tarefa da presidente será restabelecer pontes com a oposição na tentativa de desarmar os ânimos de vencedores e vencidos. Se, de um lado, a estratégia comandada pelo maquiavélico Santana ajudou a desconstruir a imagem de Marina e de Aécio, de outro, abriu um enorme fosso entre petistas e tucanos. Analistas são quase unânimes em afirmar que esta foi a campanha mais agressiva desde a retomada da democracia. Dividiu o eleitorado ao meio. Na última semana, Dilma se disse alvo de “golpismo” e Aécio acusou o PT de práticas “terroristas”. Militantes enfurecidos enfrentaram-se nas ruas e membros da União da Juventude Socialista (PCdoB) despejaram lixo na porta da Editora Abril, em protesto contra a revista Veja. Daí, defende-se que Dilma, reeleita, emita sinais claros a favor da pacificação nacional.

Na política brasileira, não existem somente PT e PSDB. Há outros partidos e outras correntes de pensamento. Mas a ferida está aberta e nada indica que cicatrizará tão rápido. Entretanto, não é certo que um entendimento entre governo e oposição seja de fato tão necessário. Certa vez, em Londres, após impor a enésima derrota aos trabalhistas, perguntaram à conservadora Margaret Thatcher por que ela, pelo bem do Reino Unido, não buscava um consenso com seus adversários. A primeira-ministra, com o peso de seus votos, atirou: “Se Jesus Cristo buscasse o consenso em sua época, o cristianismo não teria durado através dos tempos”. Ou seja, na visão da dama de ferro inglesa, a acomodação de interesses não leva a avanços, mas ao atraso, ao retrocesso. A se espelhar em Thatcher, o PT e o PSDB devem se preparar para futuros embates no Congresso.

Dilma sabe que os tucanos não vão lhe facilitar a vida. Mas deve estar mais preocupada em dar respostas a quem votou nela. Como baseou a campanha no mote “governo novo, ideias novas”, é de se esperar que forme um novo ministério. Executivas provadas, como Tereza Campelo, do Desenvolvimento Social, e Miriam Belchior, do Planejamento, devem ser mantidas. Haverá mudanças em pastas essenciais como Saúde e Educação e Guido Mantega será substituído na Fazenda. Em 1º de janeiro, ele deixará o cargo que ocupou por mais de oito anos. O nome mais citado é o do ex-secretário executivo Nelson Barbosa. Fala-se também que um alto cargo está reservado para o governador da Bahia, Jaques Wagner, nome forte no PT depois de fazer seu sucessor. O segundo mandato de Dilma Rousseff não começou, mas o PT já está pensando em 2018.

IDIOTAS NO MUNDO

Com o perdão daqueles mais sensíveis à crueza da questão-título, respondo diretamente à pergunta. E a resposta é, ao mesmo tempo: sim e não! Explico um pouco melhor aqui abaixo.

Sim, infelizmente pode-se constatar empiricamente – mas isto poderia ser confirmado por alguma investigação “científica” – que está aumentando, para cifras nunca antes registradas nos meios de comunicação, o número de imbecis, idiotas ou simples energúmenos, cujas opiniões, elucubrações ou meras manifestações de “pensamento” conseguem ser captadas por esses meios de comunicação, encontrando assim um eco mais amplo nos veículos impressos e audiovisuais.

Por outro lado, nunca foi tão volumosa a produção científica ou a simples escolarização de massas antes excluídas do acesso à educação (de qualquer nível e qualidade). Com isso, a cultura científica se dissemina em meios antes entregues às mais variadas influências “culturais”, desde o curandeirismo shamânico até o fundamentalismo religioso pretendidamente “cientista”. Assim, a humanidade “progride”, ainda que isto possa ser descrito como sendo uma “fatalidade natural” do acúmulo do conhecimento científico e que esse saber esteja em muito poucas mãos (e cérebros).

Com esses dois processos se desenvolvendo simultaneamente, a resposta à pergunta central é, portanto, dupla e contraditória: nunca foi tão grande o número de pessoas partilhando de um mesmo conjunto de explicações simplistas – e basicamente erradas, quando não idiotas – sobre as complexidades do mundo e da vida, ao mesmo tempo em que aumenta gradativamente o número daquelas capazes de galgar as escarpas ásperas da ciência e de adotar explicações racionais, a fortiori racionalistas, para esses mesmos problemas. Uma coisa não exclui a outra, portanto.

Como sabem todos aqueles que lidam com sistemas educativos, quando se amplia o acesso às instituições formais de ensino a uma clientela a mais extensa possível, parte da qual era antes excluída desses meios, é inevitável a queda de qualidade da educação formal, uma vez que se está lidando com os mais despreparados e carentes de toda e qualquer informação. Pessoas que antes eram “educadas” nas superstições e crendices “normais” dos meios populares, na baixa cultura dos estratos inferiores da sociedade, passam, de um momento a outro, a dispor de maior acesso aos canais da sociabilidade e aos meios de comunicação de massa, como revistas, jornais e internet. Alguns até conseguem sucesso nos meios profissionais e se tornam pessoas de renda elevada, detendo capacidade de influir na tomada de decisão de empresas e de governos, e de influenciar, portanto, uma maior número de indivíduos à sua volta. Se essas pessoas conseguiram adquirir, através da escola e dos livros, uma cultura superior, logicamente estruturada e cientificamente embasada, tanto melhor: elas poderão disseminar uma cultura superior àquela que tinham em seus meios de origem e contribuir assim para a elevação espiritual da humanidade. Se, ao contrário, elas passaram impunes pela educação formal e conservaram – até aumentaram, por hipótese pessimista – as mesmas superstições de origem, os mesmos preconceitos primários, as mesmas explicações ingênuas que compõem o lote comum da humanidade desde tempos imemoriais, então só podemos prever o pior: o aumento das opiniões não-fundamentadas, e das respostas equivocadas às questões mais complexas da vida e da sociedade. Pode-se até prever a consolidação da ignorância num verdadeiro “sindicato dos energúmenos”, cujos filiados crescem a olhos vistos.

Isto se aplica, por exemplo, aos obcecados pela astrologia e pelas explicações “mágicas” sobre o “sucesso” na vida (no amor, nas finanças, na longevidade) e, sobretudo, em relação ao crescimento do fundamentalismo religioso e de variantes do criacionismo, que só posso explicar como representando a imbecilização congenital de pessoas até medianamente bem dotadas de acesso à educação formal e a meios decentes de vida. De fato, estou cada vez mais surpreendido com o crescimento dessas interpretações literais sobre a origem do universo, da vida na Terra e da criação dos homens e dos demais seres vivos, “explicações” que afetam basicamente a história e a biologia (com todas as suas variantes na geologia, na antropologia ou na arqueologia).

Sem querer ofender ninguém em particular – mas possivelmente ofendendo, mas não me desculpando por isso –, só posso atribuir ao triunfo da ignorância o fato de que mais e mais pessoas resolvem aderir a essas versões ingênuas, simplistas e profundamente equivocadas sobre a origem da vida e seu desenvolvimento na face da Terra. Essas mesmas pessoas, obviamente, recusam a teoria da evolução e suas conseqüências práticas, sendo portanto totalmente ineptas para qualquer tipo de carreira científica, pelo menos nas áreas de biologia, de geologia e de outras ciências naturais (para não falar da torturada e tortuosa história da humanidade).

Sem pretender chamar ninguém em particular de idiota – mas possivelmente chamando, e não me desculpando por isso –, surpreende-me, sim, que tantas pessoas resolvam aderir a uma visão do mundo terrivelmente comprometedora de suas chances futuras de progresso numa cultura superior e em carreiras científicas que poderiam contribuir para o seu próprio bem-estar individual e para uma qualidade de vida melhor para toda a humanidade (eventualmente para si próprias, se elas por acaso se encontrassem em uma situação de emergência que requeresse o mínimo de conhecimento especializado, geralmente de tipo científico).

É evidente que, em todas as épocas históricas e em todas as sociedades, a cultura científica sempre foi algo extremamente restrito e profundamente elitista, tocando em poucos membros da comunidade. Com a ampliação e a extensão das instituições escolares, essa cultura se estende progressivamente a um maior número de pessoas, mas seu estabelecimento e desenvolvimento dependem, em última instância, do próprio esforço individual e do empenho pessoal na absorção e compreensão de complexos problemas técnicos que passam então a se disseminar em escala ampliada. Essa cultura científica sempre estará em competição com a cultura ingênua, com as explicações simplistas e desrrazoadas ou até com a ignorância mais completa – que, aliás, não se peja de aparecer –, travestida em “conhecimento popular”, ou em senso comum.

A razão disso é simples: independentemente do seu meio social de nascimento, do nível de renda e do background familiar, as pessoas nascem igualmente dotadas, ou seja, com algumas habilidades inatas e uma mesma ignorância cultural fundamental. A cultura e a educação serão nelas “instaladas” à medida de sua exposição a fontes superiores de cultura e de educação, ou então elas conservarão as mesas “ferramentas” de saber dos seus meios de origem ou daqueles meios a que foram expostos no curso da vida. É muito duro adquirir uma cultura científica e uma explicação “superior” sobre a vida, uma vez que isto requer estudo constante, leituras aplicadas, raciocínio não-elementar e alguma “transpiração” na busca de instrumentos explicativos de realidades complexas, em todo caso não-óbvias.

Em outros termos, conformando-se às tendências inatas à preguiça e à acomodação, na ausência de perigos ou de estímulos externos à criatividade e à inovação, a maior parte da humanidade adapta-se ao puro senso comum e às explicações elementares, que são obviamente rudimentares, quando não preconceituosas ou francamente equivocadas. Apenas uma pequena parte da humanidade é levada – ou é obrigada – a responder a desafios externos ou à sua própria curiosidade intelectual (que também é inata, mas requer algo mais do que simples ações reativas a estímulos ambientais). Resulta disso a divisão tradicional entre a cultura científica e a cultura popular, já examinada na obra de epistemologistas e de historiadores da ciência, não cabendo aqui qualquer relativismo cultural ou manifestação de “correção política” quanto às virtudes pretensamente igualitárias ou dotadas de alguma “genialidade natural” da segunda em relação à primeira.

Este me parece ser o “molde sociológico” através do qual seria possível analisar a “emergência” e a “disseminação” de explicações equivocadas, francamente deletérias e (por que não dizer?) totalmente idiotas sobre o mundo real, que resultam dessas crenças “criacionistas” ou anti-evolucionistas que, a exemplo dos EUA, também tendem a se propagar no Brasil a um ritmo impressionante. Para onde quer que se olhe, a constatação parece ser a mesma: mais e mais pessoas, incapazes de se alçar a uma cultura superior – que chamamos de científica –, se deleitam, quando não se comprazem com explicações religiosas simplistas ou com meras superstições. O que é pior: dotadas de acesso aos meios de comunicação – hoje em dia, qualquer um tem acesso à internet, e muito cachorro de madame possui webpage –, essas pessoas passam a expor sem maiores restrições sua profunda ignorância, seus preconceitos tradicionais, seus equívocos de senso comum transmitidos desde o berço a um número incontável – e propriamente incontrolável – de outras pessoas.

Como a exploração da credulidade alheia tornou-se, igualmente, uma prática comum em nossos tempos mercantilistas, sobretudo em algumas vertentes da “indústria religiosa” – que baseia sua ação na “teologia da prosperidade”, antes de mais nada, a prosperidade individual dos próprios “ministros” da nova religião –, é evidente que a imbecilidade humana, como explicitado no título deste ensaio, tenha tendência a aumentar. Torna-se inevitável o triunfo de alguns imbecis – nem por isso menos aptos a extrair renda de pessoas ignorantes e ingênuas – que não sofrem nenhum constrangimento em estender o mais possível sua ignorância enciclopédica em todas as longitudes e latitudes abertas ao seu pouco engenho e baixa arte. Trata-se de um aumento relativo e também absoluto, ou seja: mais e mais pessoas, dotadas de “cultura ingênua”, são mobilizadas pelos espertalhões de plantão, nem todos imbecis ou idiotas; longe disso, pois alguns fazem disso uma profissão altamente lucrativa.

Por outro lado, é normal que grande parte da humanidade, agora provista de meios de subsistência relativamente satisfatórios, sobreviva e prospere fisicamente (obviamente graças aos progressos da ciência, que alguns tão alegremente ignoram). Agora são indivíduos arrancados de um estado de letargia intelectual para uma situação de exercício ativo de banalidades de senso comum, quando não de imbecilidades coletivas facilmente disseminadas pelo acesso irrestrito aos meios modernos de comunicação. É o triunfo das nulidades, como queria um sábio brasileiro, é a vitória da ignorância de modo amplo, uma vez que os meios técnicos não distinguem entre a boa e a má “cultura”, entre a verdade e a falsidade, entre a racionalidade e o ilogismo mais absoluto.

Na outra ponta, nunca foi tão grande o conhecimento acumulado pela espécie humana sobre sua própria existência e o meio que a cerca. Como a ciência e o conhecimento são cumulativos e, em princípio, não “extinguíveis” – salvo catástrofes humanas e naturais muito amplas –, a única previsão possível nesse terreno é a expansão e aperfeiçoamento do saber científico, em benefício do conjunto da humanidade, mesmo os mais imbecis. Ou seja, mesmo aqueles fundamentalmente estúpidos a ponto de recusar uma explicação científica para a origem de seus males eventuais, podem ter suas vidas salvas pelos progressos da medicina e assim, num exercício de “darwinismo involuntário”, continuar a disseminar impunemente a sua ignorância e seus preconceitos à sua volta ou a uma geração de idiotas mais à frente. Um exemplo: aqueles que recusam a transfusão de sangue podem ser salvos por injunção legal ou pela mudança temporária de religião – alguns não idiotas a esse ponto –, a tempo de permitir a operação médica e sobrevivência. (Alguns darwinistas radicais talvez não estejam de acordo com essa sobrevivência dos ineptos, mas a perspectiva humanitária comanda que façamos todo o possível para salvar nossos semelhantes.).

Em resumo: a ciência e a racionalidade progridem a olhos vistos, e elas tornam a vida de todos melhor e mais longa. Elas sempre serão restritas a um número relativamente pequeno de seres humanos, em todo caso até que a educação de qualidade e o espírito de pesquisa se tornem mais amplamente disponíveis nas sociedades. A ignorância e o preconceito recuam no conjunto, mas eles continuarão a ser muito comuns, na medida em que também constituem características tradicionais – eu não diria inatas por respeito ao gênero humano – das sociedades.

Concluindo: a imbecilidade humana tem, sim, aumentado, pela força dos números, mas ela comanda cada vez menos os destinos da raça humana, graças aos progressos da ciência. Ou estarei errado?                                                                           Paulo Roberto de almeida.

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Desvio de recursos a crianças carentes

Diretores e auxiliares de uma entidade filantrópica do Distrito Federal são suspeitos de usar em benefício próprio dinheiro repassado pelo governo local para levar assistência social e educacional a crianças e adolescentes carentes. O prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 3 milhões.

Três dirigentes da Fenações Integração Social, incluindo sua presidente, Luzia Rodrigues de Souza, foram encaminhados, nesta sexta-feira (24), ao Departamento de Polícia Especializada (DPE) para prestar depoimentos.

Conforme a Agência Brasil apurou, a entidade mantém duas creches em Samambaia e uma em Recantos das Emas, além de um centro profissionalizante também em Recanto da Emas. Funcionários informaram que, juntos, os quatro estabelecimentos atendem a pelo menos 800 crianças e adolescentes. Algumas das creches funcionam há pelo menos 20 anos.

Parte dos recursos necessários para manter os projetos funcionando vinham de convênios da Fenações com o Governo do Distrito Federal, por meio das secretarias de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest) e da Educação. Procurada, a Sedest informou que o convênio foi cancelado em 2011.

Durante a Operação Matriarca, deflagrada esta manhã, agentes da Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco) cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em residências nos Lago Norte e Sul, Samambaia, Octogonal e na sede da diretoria da entidade, no Recanto das Emas. Foram apreendidos computadores, mídias, notas fiscais, procurações e outros documentos.

De acordo com as investigações policiais, entre os anos de 2003 e 2009, a entidade apresentou à Secretaria de Fazenda cerca de 3,7 mil notas fiscais para justificar a compra de suprimentos destinados aos abrigos. Dessas, apenas 14% eram verdadeiras, segundo o delegado.

Para a Polícia Civil, há elementos que comprovam que a presidente, coordenadores, contadores e auxiliares da entidade tinham conhecimento das práticas criminosas. Não está descartada a participação de outras pessoas no esquema. A reportagem telefonou para a presidente e para uma diretora da Fenações, mas não foi atendida. Funcionários da entidade disseram não haver ninguém se pronunciando sobre as acusações.

TVEJASE X REVISTA

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu liminar na noite desta sexta-feira (24) que proíbe a editora Abril, responsável por publicar a revista Veja, de fazer propaganda em qualquer meio de comunicação da reportagem de capa segundo a qual a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam conhecimento do esquema de corrupção da Petrobras. A reportagem diz se basear em depoimento prestado na última terça-feira (21) pelo doleiro Alberto Youssef no processo de delação premiada a que ele se submete para ter direito à redução de pena.

O pedido para impedir a publicidade da matéria foi apresentado pela campanha de Dilma na tarde desta sexta-feira. A defesa da petista requereu ao tribunal que a revista se abstivesse fazer propaganda de sua capa, que tem, na opinião dos advogados de Dilma, conteúdo ofensivo à candidata à reeleição. Para a campanha petista, uma eventual publicidade do caso tem por objetivo único beneficiar a candidatura do tucano Aécio Neves.

A ação da defesa de Dilma se ampara no artigo da Lei das Eleições que prevê que a propaganda eleitoral no rádio e na televisão restringe-se ao horário gratuito, sendo proibida a veiculação de propaganda paga. Essa mesma vedação, segundo campanha da petista, é estendida à divulgação de propaganda na internet e por meio de outdoors. Em caso de descumprimento da liminar, os advogados de Dilma cobram a aplicação de multa de R$ 1 milhão por veiculação proibida.

A campanha da presidente argumentou ainda que a revista Veja antecipou sua edição em dois dias com a “nítida intenção de tumultuar a lisura do pleito eleitoral do próximo domingo (26)”. Citam ainda que a revista teria postado no Facebook dela, com 5 4 milhões de seguidores, notícia com o título “Tudo o que você queria saber sobre o escândalo da Petrobras: Dilma e Lula sabiam”. Essa propaganda teria sido reproduzida na página oficial do PSDB, partido do adversário na disputa ao Palácio do Planalto, também na mesma rede social.

Em sua defesa, a Editora Abril sustentou que as liberdades de comunicação e de atividade econômica são direitos previstos na Constituição. Esses direitos, disse a editora, “não podem ser sufocados por medidas de cunho censor sob a alegação de imaginária propaganda eleitoral”. Para Abril, o que se pretende é “impedir a imprensa de divulgar assunto que a sociedade tem o direito de tomar conhecimento”. “Não houve ilícito algum na matéria publicada na edição e tampouco nas propagandas de divulgação da revista, de modo que a representada (Editora Abril) agiu no seu estrito direito constitucional”, afirmou.

Em parecer, o procurador-geral Eleitoral, Rodrigo Janot, manifestou-se a favor da campanha da Dilma. Para Janot, diante da iminência da realização de uma propaganda eleitoral irregular é necessário proibir a divulgação das publicidades sob pena de acarretar “prejuízo irreparável ao equilíbrio e (à) lisura do pleito”.

Em sua decisão, o ministro Admar Gonzaga, relator do processo, afirmou que há elementos para acatar o pedido liminar, suspendendo, até o julgamento do mérito, qualquer publicidade da editora sobre o assunto. Segundo ele, cabe ao TSE “velar pela preservação da isonomia entre os candidatos que disputam o pleito”. “Desse modo, ainda que a divulgação da revista Veja apresente nítidos propósitos comerciais, os contornos de propaganda eleitoral, a meu ver, atraem a incidência da legislação eleitoral, por consubstanciar interferência indevida e grave em detrimento de uma das candidaturas”, afirmou o ministro.

Admar Gonzaga – um dos advogados da campanha de Dilma em 2010 – disse ainda que a antecipação em dois dias da divulgação da revista “poderá transformar a veiculação em verdadeiro panfletário de campanha, o que, a toda evidência, desborda do direito/dever de informação e da liberdade de expressão”.

“No caso, muito embora o periódico possa cuidar – em suas páginas – desse tema sensível, confirmando sua linha editorial de maior simpatia a uma das candidaturas postas, entendo que a transmissão dessa publicidade por meio de rádio, ou seja, de um serviço que é objeto de concessão pelo Poder Público e de grande penetração, desborda do seu elevado mister de informar, com liberdade, para convolar-se em publicidade eleitoral em favor de uma candidatura em detrimento de outra”, afirmou o ministro, em decisão divulgada às 23h36 desta sexta-feira (24).

O FUTURO DO BRASIL

O candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB) discursou , em Porto Alegre, e reiterou a proposta de montar um governo “dos melhores”, baseado nos conhecimentos individuais. “Se vencer as eleições, vamos ter o mais qualificado de todos os governos da história republicana do Brasil, porque vou buscar nomes na sociedade, vou buscar nomes a partir do conhecimento que cada um tenha”.

Aécio voltou a lembrar a indicação, caso seja eleito, do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, para chefiar o Ministério da Fazenda. Ressaltou que a indicação de Fraga serve para sinalizar “uma nova condução da política econômica” no país. Salientou que petende fazer um governo “para todos os brasileiros”, referindo-se a uma aliança com várias atores políticos.

“Não farei o governo de um partido político e de uma aliança, mas de todos os brasileiros, até porque os desafios que temos pela frente são imensos e precisamos dos mais preparados, dos mais qualificados para enfrentá-los”. Aécio lembrou a troca de acusações entre ele e a candidata Dilma Rousseff (PT) durante todo o segundo turno. Propôs que, na próxima semana, última antes das eleições, o debate seja em torno de propostas de melhorias para o Brasil.

“Estou pronto para o debate no campo que ela escolher. Prefiro no campo propositivo e convido a presidente da República para, na semana que nos separa da eleição, debatermos nossos projetos, mostrarmos as diferenças na concepção do Estado, a visão da administração púbica e nossas prioridades”.

A declaração de Aécio ocorre após a suspensão de dois trechos da propaganda de Dilma Rousseff, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e intensa troca de acusações entre ambos no debate da última quinta-feira (16).

SEGUNDO TURNO

Sete dias que vão valer quatro anos. Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) abrem hoje a última semana antes do segundo turno das eleições presidenciais, na disputa mais acirrada da história recente de democracia brasileira. Até lá, serão dois debates na televisão (o primeiro, hoje, na TV Record e o segundo na próxima sexta-feira, na TV Globo).

Serão 120 minutos de propaganda eleitoral no rádio e na televisão para cada um, divididos em dois blocos — um na hora do almoço e outro à noite. E mais cinco dias efetivos de campanha, com direito a eventos públicos com aliados, militância e carro de som (no sábado, são permitidas apenas caminhadas e panfletagens). Serão, acima de tudo, sete dias de calculadora na mão. “As coisas estão tensas. Essa campanha foi suis generis, não há nada que se assemelhe em nossa história recente”, afirmou um estrategista da campanha de Dilma Rousseff. O desabafo não é meramente figura de retórica ou desculpa evasiva.

O PT preparava-se para o tradicional embate polarizado com o PSDB, quando o avião que levava Eduardo Campos (PSB) para um evento político em Santos despencou no bairro do Boqueirão, na baixada santista, matando o candidato. Marina Silva, vice na chapa do PSB, transformou-se em candidata ao Planalto e, rapidamente, disparou nas pesquisas. “Tivemos que passar o primeiro turno debatendo e confrontando com Marina.

Aécio virou o jogo na reta final e passou para o segundo turno praticamente sem ser incomodado”, declarou um interlocutor de Dilma. “O que poderíamos fazer em três meses tivemos que fazer em três semanas”, completou.