Refinaria de Pasadena

A polêmica refinaria de Pasadena já era malvista pela área técnica da Petrobras desde o início do processo de avaliação para a aquisição. O desconforto era tal que a refinaria americana tinha um curioso apelido dados por funcionários antes da realização da compra. O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, que no cargo desde 2003, contou em depoimento à Comissão Interna de Apuração que a refinaria era chamada de “ruivinha”, e explicou o motivo mostrando o desconforto com o negócio: Pasadena estava toda enferrujada.

“Pessoas desta sede viajaram para avaliação in loco, e houve reação negativa dessas pessoas, que não gostaram do que viram e apelidaram a refinaria de ruivinha, porque estava tudo enferrujado. Havia sentimento muito negativo, mas também desejo muito forte da área Internacional de que o negócio ocorresse”, disse Barbassa em 13 de maio deste ano.

Apontado no relatório da comissão como principal articulador do negócio e responsável em dez das 11 irregularidades levantadas pela investigação interna, o ex-diretor da área Internacional Nestor Cerveró atribuiu o mau estado de conservação à falta de preocupação dos americanos com “aparência”. Ele foi ouvido antes de Barbassa, em 5 de maio.

“Questionado sobre as recomendações iniciais das avaliações, com itens apontando deficiências, o depoente declara que as refinarias nos EUA não têm a mesma preocupação com a aparência como ocorre com as da Petrobras (meio-fio pintado de branco, tanques pintados etc.)”, registra o extrato do depoimento do ex-diretor internacional. Cerveró foi além, dizendo que eventuais problemas nunca foram apontados pela área técnica como “algo inaceitável ou irreparável”. Destacou que a refinaria nunca tinha sido proibida de operar nos EUA.

Além de Cerveró, foram apontados como responsáveis pelas irregularidades o ex-presidente José Sérgio Gabrielli, os ex-diretores Paulo Roberto Costa e Jorge Zelada e cinco funcionários. O documento foi encaminhado à área jurídica, para se avaliar a obrigatoriedade de enviá-lo ao Ministério Público Federal. A refinaria foi comprada da belga Astra Oil por US$ 1,25 bilhão, em 2 operações. A Petrobras já reconheceu prejuízo contábil de US$ 530 milhões.

Em seu depoimento, Barbassa fez diversas críticas ao negócio. Para ele, o processo de compra foi “bem rápido”, e a Diretoria Internacional tinha autonomia “muito grande” e adotava procedimentos “mais simplificados”. Destacou que a compra da 1ª metade começou a ser negociada no fim de 2005, e em fevereiro de 2006 já foi aprovada pela Diretoria Executiva e pelo Conselho de Administração. Barbassa disse que a diretoria, em fevereiro, não sabia das cláusulas Marlim e “put option”, que garantiam rentabilidade mínima à sócia e obrigavam a Petrobras a comprar a 2ª metade em caso de desacordo comercial. Afirmou que as cláusulas estavam no anexo XXX e só foram conhecidas após aprovado o negócio. Mas frisou que isso ocorreu antes da assinatura do contrato, em setembro de 2006. Disse que o negócio não foi desfeito pois, na Diretoria Internacional, “havia muita vontade de levar adiante”.

Barbassa contou que só em 2007 sua diretoria conseguiu precificar a cláusula Marlim, e passou-se a saber quanto representariam os 6,9% de rendimento mínimo à Astra. Não disse qual seria esse custo, mas frisou não ser usual que se oferecesse ao vendedor parte do que seria ganho no futuro. Observou que a ampliação da refinaria para 200 mil barris/dia foi adiante mesmo estando no contrato a manutenção em 100 mil barris/dia. Isso gerou briga com a sócia. Afirmou que a compra da 2ª metade foi negociada para se livrar das duas cláusulas. Barbassa disse que Pasadena deu prejuízo todos os anos até 2013 e defendeu seu fechamento.

Cerveró apoiou a condução do negócio. Disse não ser comum se alongar sobre “cláusulas de saída” quando se negocia proposta de compra. Seu advogado, Edson Ribeiro, enviou depois carta registrando que a responsabilidade pela compra era do Conselho de Administração, então presidido pela presidente Dilma. Gabrielli também defendeu na comissão a lisura da compra. Em depoimento em 7 de maio, destacou a necessidade de, naquele momento, investir-se em refino no exterior. Costa respondeu a perguntas da comissão antes da delação premiada. Seu atual advogado, João Mestieri, disse que o ex-diretor “não teve nada a ver” com a compra de Pasadena. Mas não comentou a informação de que na delação Costa admitiu ter recebido US$ 1,5 milhão para não atrapalhar o negócio.

 

Ministério Público Federal no Espírito Santo

O Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF-ES) abriu procedimento para investigar as obras de construção da sede administrativa da Petrobras, em Vitória. Os procuradores vão apurar ainda a atuação das empresas Odebrecht e Camargo Corrêa, integrantes do consórcio que venceu a licitação, e de ex-dirigentes da companhia que atualmente são alvos da Operação Lava-Jato para saber se houve irregularidade nos gastos e enriquecimento ilícito.

A nova sede começou a ser planejada em 2005, quando foi lançado um concurso nacional para a escolha do projeto arquitetônico vencido pelo escritório paulista Sidonio Porto. Na época, a estatal pensava em gastar R$ 90 milhões. Escolhido o projeto e realizada a licitação, vencida pelo consórcio composto pelas empresas Odebretch, Camargo Correa e Hochtief, a obra foi iniciada em 2006 com um orçamento de R$ 486 milhões. A conclusão só aconteceu em 2011, dois anos depois do previsto, ao custou total de R$ 580 milhões, ou seja, 6,4 vezes mais do que o valor inicial previsto pela estatal.

“Após a deflagração da Operação Lava-Jato, os fatos relacionados à referida construção ganham novos contornos. As empresas que formaram o consórcio são, ao menos em parte, empresas que estão sendo investigadas. Também alguns dos ex-dirigentes presos ou investigados foram responsáveis por atos relacionados à obra. Estas circunstâncias, somadas ao valor divulgado da obra, fazem necessária investigação para saber se houve eventual irregularidade nos gastos e/ou enriquecimento ilícito”, conclui o MPF no despacho que determinou a abertura do procedimento.

Na época da construção, a Petrobras informou que “o aumento no custo foi devido a reajustes contratuais considerados normais em obras desse tipo”, e que o investimento seria necessário para atender a diversas inovações. A empresa também havia explicado que o atraso se deu por diversos fatores, como condições climáticas e características do terreno, além da obtenção de licenças ambientais e greve.

A Petrobras, procurada para se pronunciar sobre os valores e atrasos na obra e também sobre o pedido de investigação do Ministério Público Federal, não se pronunciou.

A Odebrecht, líder do consórcio, informou, em nota, que a proposta vencedora da licitação oferecia o menor preço e atendia às exigências técnicas. “O Consórcio salienta que o valor do contrato não foi de R$ 90 milhões e que os aditivos celebrados obedeceram rigorosamente às exigências e aos limites legais. A diferença para o valor final deve-se a alterações de projeto feitas pela Petrobras, bem como a custos não previstos pelo cliente com escavação do terreno e remoção de rochas. As alterações de projeto envolveram mudanças de materiais, área e equipamentos, o que determinou correções no orçamento.”

O complexo com a nova sede da Petrobras está localizado na Praia do Canto, uma das áreas mais nobres de Vitória, e possui uma área construída de aproximadamente 95 mil metros quadrados, distribuídos em duas grandes torres ligadas por um prédio central e construções anexas, como restaurante e prédio de utilidades, que fazem do empreendimento o mais moderno da companhia no país.

O projeto previu a compra de 90 mil metros quadrados de vidros de cor verde-esmeralda, tipo Low-E, na Bélgica, para serem usados nas fachadas do prédio, em Vitória, sob a justificativa de que possuem propriedade que ajudam a economizar energia, porque proporcionam baixa absorção de calor e reduzem o uso do ar-condicionado. A compra no exterior custou R$ 12 milhões e se deu, segundo o projeto, porque não foram encontrados produtos similares no Brasil. A versão das indústrias brasileiras é que a estatal tinha, desde o começo, a intenção de comprar o produto belga, pois o edital de licitação já dava como referência o vidro produzido pela Glaverbel, empresa belga que acabou sendo contratada.

Para complementar os vidros belgas, o edital da Petrobras também recomendou a compra de persianas da Itália e da França para a parte interna e externa do prédio. Telas de proteção reforçam o sombreamento em períodos mais críticos porque têm microfuros que arejam o ambiente e garantem ventilação constante.

E quando a temperatura dos ambientes internos exigir o uso de ar-condicionado, o aparelho terá seu funcionamento otimizado por sensores de presença, que desligarão o sistema se o ambiente ficar vazio, e o acionarão quando alguém entrar na sala. O projeto também contempla tecnologia para tratar 100% do esgoto, com reúso de água para irrigação e utilização nos vasos sanitários.

O Tribunal de Contas da União (TCU) investigou uma denúncia, que não tratava do aumento de 6,4 vezes no valor da obra, mas de possíveis irregularidades relacionadas a questões ambientais, dimensões da nova sede da Petrobras e negociações ocorridas entre a empresa e a proprietária do imóvel, a Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia, administrada pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Vitória.

Entretanto, o TCU arquivou a denúncia, em 6 de outubro de 2010, por unanimidade dos votos dos ministros, porque a considerou improcedente diante das explicações da Petrobras.

As informações foram prestadas ao TCU em diversas audiências, por um grupo de 11 profissionais, entre eles os diretores executivos da companhia Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró, presos por envolvimento no escândalo de corrupção na estatal.

Questionado esta semana, sobre a possibilidade de as informações prestadas por Costa, Cerveró e Duque para defender a empresa na época da denúncia merecerem nova avaliação técnica, em função de os três serem investigados por condutas irregulares, o TCU esclareceu que a investigação se baseou “exclusivamente em documentos solicitados aos responsáveis pela Petrobras”. Em nota, acrescentou: “Presentes os indícios de irregularidades, o TCU realizou audiência dos responsáveis, solicitando toda a documentação que comprovasse a lisura do procedimento. O tribunal então analisou a documentação e acatou as justificativas, ressaltamos, com base exclusivamente nas informações juntadas aos autos”.

O TCU disse que não tinha conhecimento de que a obra custou 6,4 vezes mais que o previsto e, por isso, não analisou a questão. E explicou que o processo pode ser reaberto, desde que surjam novos documentos e haja um pedido feito pelo Ministério Público da União, órgãos de controle interno, senadores, deputados, membros do Judiciário ou unidades técnicas do tribunal.

A Controladoria Geral da União (CGU) garantiu que não há ações envolvendo a construção da nova sede da Petrobras, em Vitória. Sobre a possibilidade de haver movimentação do órgão para investigar o valor da obra, a CGU disse que “existem várias esferas de acompanhamento e fiscalização dos gastos públicos. A CGU é apenas uma delas”. A Petrobras foi procurada, mas não se manifestou.

 

Fernando Baiano Soares está preso

O juiz federal Sérgio Moro determinou hoje (21) a prisão preventiva do empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, preso na sétima fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF). Soares está preso na Superintendência da PF, em Curitiba, mas cumpre prisão temporária de cinco dias, prazo que venceria amanhã (22).
Na decisão, Moro disse que há provas de que Soares recebeu “valores milionários em contas no exterior”, que ainda estão em segredo para a Justiça. Segundo o juiz, colocá-lo em liberdade pode atrapalhar as investigações.

“Fernando Soares também recebeu valores milionários em contas no exterior, ainda mantidas em segredo em relação a este Juízo e às demais autoridades públicas, com o quê o risco à aplicação da lei penal é claro e imediato, podendo o investigado furtar-se à Justiça, e ainda com o produto de sua atividade. Não sendo este o caso, poderá o investigado juntar os extratos de suas contas no exterior, cuja existência, ademais, já reconheceu parcialmente”, disse Moro.

Em depoimento prestado hoje à Polícia Federal, Soares negou ter relações com o PMDB, segundo seu advogado. Em depoimento de delação premiada, o doleiro Alberto Youssef disse que o investigado arrecadava propina para o PMDB, por meio de contratos com a Petrobras.

Lava-Jato vai à Suíça

Procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato embarcam para a Suíça na segunda-feira em busca de parte do dinheiro desviado da Petrobras. Eles pretendem trazer de volta para o Brasil US$ 23 milhões de uma conta do ex-diretor de Refino e Abastecimento Paulo Roberto Costa, que diz ter recebido os recursos da empreiteira Odebrecht. A construtora nega. Outro objetivo é verificar se procedem as suspeitas de que o ex-diretor de Serviços e Engenharia Renato Duque, ligado ao PT, e o lobista do PMDB Fernando “Baiano” Soares mantêm recursos na Europa.

Deltan Dallagnol e Orlando Martello devem chegar ao país europeu na terça-feira e voltar para o Brasil na sexta. Nesse período, os procuradores da República vão buscar documentos das contas de Costa e procurar a existência de outras contas de suspeitos para pedir o bloqueio. “Vamos buscar a repatriação dos valores e trazê-los para uma conta no Brasil”, afirmou Dallagnol ao Correio. Ele disse que o lobista Fernando Baiano pode ter dinheiro no exterior, mas não só ele. “Existe uma suspeita forte. Há indicativo de contas na Suíça com recursos do Duque e do Fernando Baiano.”

Se as informações prestadas pelos suspeitos que negociaram a delação premiada procederem, as contas de Costa, Duque, Baiano e Pedro José Barusco Filho — ex-gerente executivo de Serviços e Engenharia da Petrobras — tem recursos milionários. O próprio Paulo Roberto Costa e os executivos da Toyo Setal Júlio Camargo e Augusto Mendonça afirmam haver US$ 160 milhões e mais o equivalente a R$ 50 milhões ou R$ 60 milhões escondidos fora do país. Ou seja, a cifra pode chegar a US$ 183 milhões, R$ 476 milhões no câmbio atual.

Camargo também escondeu recursos no país europeu, segundo Dallagnol. “Outras pessoas têm contas na Suíça. Estou em contato direto com os suíços para a gente ter acesso a essa documentação. Vamos averiguar essas outras contas. Vai ser uma diligência geral.”

SANTA CASA DE SOBRAL NO CEARÁ

HOMEM QUE REVELOU DESVIO NA SANTA CASA, VAI DEPOR NA PROCURADORIA DA REPÚBLICA

O ex-superintendente da Santa Casa, Ivá Monteiro(foto) que revelou na Câmara de Sobral, em maio deste ano, desvio de milhões de reais e delapidação do patrimônio do Hospital, volta a Sobral, na próxima segunda-feira, 24 de novembro, para prestar depoimento na Procuradoria da República.
A oitiva está marcada para às 14 horas, do primeiro dia da próxima semana. Quando Ivá Monteiro esteve no legislativo sobralense, o mesmo falou na presença dos vereadores, do Bispo Dom Odelir e dos atuais administradores do nosocômio que dois médicos, um casal de advogados e um contador eram os responsáveis pela delapidação do patrimônio e desvio milionário. A intenção do ex-superintendente, agora, é revelar no depoimento os nomes e detalhes das operações realizadas na passada administração.

Nesta segunda feira as 14 horas na cidade de Sobral o ex-superientende vai depor na Procuradoria da Republica. Acredito que dessa vez a Santa Casa será passado a limpo, se o ex-superintendente tiver coragem.

Acredito que o Padre Edmílson e o Dr.Roger não estão dormindo.

OS INOCENTES DO PT

A Polícia Federal (PF) ainda busca dois dos 25 investigados na sétima fase da Operação Lava Jato. São eles: Fernando Soares, lobista conhecido como Baiano supostamente ligado ao PMDB, e Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP-BA). Ambos são considerados foragidos e estão com a prisão preventiva decretada. A PF informou que está providenciando a inclusão do nome de Baiano na lista de procurados da Iterpol.

Os 23 que já estão presos (veja lista completa abaixo) na Operação Lava Jato foram levados às 10 horas deste domingo para fazer exames de corpo de delito. Eles saíram às 10 horas da PF de Curitiba, capital paranaense, em um comboio rumo ao Instituto Médico Legal (IML). Por volta do meio-dia, retornaram à Superintendência da PF, onde dividem três celas. Outros depoimentos devem ocorrer hoje.

Pelo menos dois executivos podem ter dado depoimento no sábado. Carlos Eduardo Strauch Albero e Newton Prado Junior, ambos diretores da Engevix, tiveram a oitiva agendada após terem conversado com seus advogados, na tarde de ontem. Os dois cumprem prisão temporária e permanecem na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Os advogados argumentaram em habeas corpus apresentado ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, que não viam motivo para que fossem mantidos presos, uma vez que seus clientes já iriam prestar depoimento no sábado mesmo e também os mandados de busca e apreensão haviam sido cumpridos. Porém, a desembargadora Maria de Fátima Freitas Labarrère, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que já indeferiu habeas corpus de 11 dos 23 executivos presos nesta fase da Operação Lava Jato, considerou que não há comprovação de que a colheita de provas nas empresas tenha se encerrado com os mandados de busca, apreensão e prisão realizados na última sexta-feira.

“Tomando-se os valores milionários ou bilionários destes contratos, os danos sofridos pela empresa estatal, cujo acionista majoritário é a União Federal e, em última análise, o povo brasileiro, atingem milhões ou até mesmo bilhões de reais. Os depósitos identificados nas contas controladas por Alberto Youssef, eles mesmo vultosos, na casa de milhões de reais, representam uma fração de um esquema, segundo os criminosos colaboradores, muito maior”, afirmou a desembargadora. “Grande parte do esquema criminoso permanece ainda encoberto, sem que se tenha certeza de que todos os responsáveis serão identificados e todo o dinheiro desviado recuperado”, completou.

Além de Albero e Prado Junior, está preso na sede da PF de Curitiba o vice-presidente da Engevix, Gerson de Mello Almada. Ele teve prisão preventiva decretada pela Justiça e foi apontado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef como o principal contato do esquema na empreiteira. O habeas corpus impetrado para soltura de Almada também foi indeferido pelo TRF-4.

Entre 2009 e 2014, a Engevix assinou individualmente 10 contratos com a Petrobras, no valor de R$ 837.862.366,62, vários deles com aditivos. Participou ainda de consórcios, celebrando em conjunto com outras empresas contratos de R$ 3.339.668.483,82. No total, os negócios com a estatal somaram R$ 4,177 bilhões. O repasse de dinheiro para os partidos políticos foi demonstrado por diversos contratos assinados pela empreiteira com empresas de fachada controladas pelo doleiro e depósitos bancários feitos nas contas delas.

Ao negar todos os habeas corpus apresentados entre sexta e sábado, a desembargadora Maria de Fátima ressaltou que empreiteiras apresentaram documentos falsos à Justiça para justificar os pagamentos feitos às empresas do doleiro, “o que demonstra a possibilidade de destruição e ocultação de documentos”. Afirmou ainda que emissários foram enviados para tentar cooptar testemunhas, seja por dinheiro ou ameaça velada.

“Se as empreiteiras, ainda em fase inicial da investigação, não se sentiram constrangidas em apresentar documentos falsos ao Judiciário, forçoso reconhecer que integridade das provas e do restante da instrução encontra-se em risco sem uma contra medida”, afirmou a desembargadora.

Até a manhã deste domingo, também tiveram habeas corpus negados os executivos Eduardo Hermelino Leite, José Ricardo Breghirolli, Agenor Franklin Magalhães de Medeiros, Dalton dos Santos Avancini, João Ricardo Auler, José Aldemário Pinheiro Filho, Mateus Coutinho de Sá Oliveira e Alexandre Portela Barbosa. Os três dirigentes da Camargo Corrêa que se entregaram no sábado à PF em São Paulo — o presidente Dalton dos Santos Avancini; o presidente do Conselho de Administração, João Ricardo Auler; e o vice-presidente da empresa Eduardo Hermelino Leite — chegaram a Curtiba na noite de ontem.

Os advogados de Hermelino Leite, que além de pagar propina é apontado como beneficiário de parte dela, tentaram substituir a prisão preventiva por domiciliar. Argumentaram que ele sofre de hipertensão arterial de difícil controle e que está afastado do trabalho para ajustar os medicamentos, em função de “importante estresse profissional”. O pedido também foi indeferido pelo TRF-4.

Estão presos na Superintendência da PF do Paraná, dividindo três celas: Jayme Oliveira Filho, supostamente ligado ao doleiro Alberto Youssef; da Camargo Corrêa: Eduardo Hermelino Leite, vice-presidente, João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração e Dalton dos Santos Avancini, presidente; da companhia Engevix: Gerson de Mello Almada, vice-presidente, Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor, Newton Prado Júnior, diretor; da Galvão Engenharia: Erton Medeiros Fonseca; da IESA: Valdir Lima Carreiro, diretor-presidente, Otto Sparenberg, diretor; da Mendes Junior: Sérgio Cunha Mendes, diretor-vice-presidente-executivo; da OAS: José Aldemário Pinheiro Filho, presidente, Mateus Coutinho de Sá Oliveira, vice-presidente do conselho, Alexandre Portela Barbosa, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor e José Ricardo Nogueira; da Petrobras: Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras; da Queiroz Galvão: Ildefonso Collares Filho, ex-diretor-presidente, Othon Zanoide de Moraes Filho, diretor; da UTC: Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente, Ednaldo Alves da Silva, Walmir Pinheiro Santana, e Carlos Alberto Costa Silva.

MAR DE LAMAS

A Petrobras publica anúncio de duas páginas em jornais neste domingo para explicar os problemas que levaram ao adiamento da divulgação de seus dados contábeis do terceiro trimestre, que estavam programados para anteontem, mas que, segundo a estatal, deverão ser conhecidos apenas no dia 12 de dezembro, após o prazo legal dado às empresas de capital aberto — ou seja, com ações negociadas em Bolsa. Citando as denúncias decorrentes da Operação “Lava-Jato” da Polícia Federal e sete casos de suspeitas de corrupção, desvios e sobrepreços, a Petrobras informa no anúncio que buscará na Justiça o ressarcimento dos recursos desviados. A empresa também divulgou seus resultados operacionais do terceiro trimestre:

“Concomitante ao avanço das investigações, a companhia vem trabalhando nas medidas jurídicas adequadas para o ressarcimento dos supostos recursos desviados e dos eventuais valores decorrentes de sobrepreços derivados de contratos celebrados com as empresas participantes do suposto cartel”, informa o anúncio da empresa, que alega também que pedirá “o ressarcimento dos danos causados à imagem da companhia”.

Ainda durante a campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff, o vice Michel Temer e José Eduardo Cardoso, ministro da Justiça, haviam afirmado que buscariam o ressarcimento aos cofres públicos dos valores desviados pela Petrobras.

No anúncio, a empresa afirma que está auxiliando no aprofundamento das investigações, atendendo aos órgãos de fiscalização (Ministério Público, Tribunal de Contas da União e Controladoria Geral da União) e que contratou dois escritórios de advocacia para auxiliarem na busca. Disse ainda que pediu à Justiça o acesso aos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, e de Alberto Youssef. A nota da empresa não cita as prisões ocorridas na sexta-feira na segunda fase da Operação Lava- Jato. A empresa alega que implementou 60 “ações de relevante impacto” para o aprimoramento de sua governança e que está adotando outras seis medidas contra fraudes, desvios do código de ética e aumento de custos e prazos de projetos, sem especificar estas medidas.

Afirmando que passa “por um momento único em sua história”, o anúncio da Petrobras explica que o adiamento dos resultados ocorreu pela necessidade de tempo para aprofundar as investigações com os escritórios contratados no Brasil e nos EUA para apurar as denúncias. E acrescenta que será preciso um prazo para ajustar as demonstrações contábeis com base nas investigações da Operação Lava-Jato e que vai avaliar a necessidade de melhorias de controles internos.

A empresa informou que pretende divulgar os resultados contábeis no dia 12 de dezembro, mas disse que isso é uma estimativa e que informará a data correta com uma antecedência mínima de 15 dias.

Na divulgação de seus dados operacionais, a empresa salienta seu aumento de produção. Segundo a estatal, a produção de petróleo alcançou 2,09 milhões de barris/dia, um valor 9% acima do registrado no mesmo período de 2013 (1,924 milhão de barris/dia).

A empresa indicou que a produção em suas refinarias cresceu 4% nesta comparação interanual e que a oferta de gás natural avançou 14% nos mesmos parâmetros, indicando que a maior parte do crescimento se deveu ao aumento da produção nacional, em detrimento da importação de gás da Bolívia.

A Petrobras também salientou que, neste período, a refinaria Abreu e Lima (PE), um dos principais alvos das denúncias, entrou em operação e que a geração de energia a partir de gás natural cresceu 35% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado.